Nas encostas do Xingó, às márgens do São Francisco,
Sentado sobre os penedos, eu contemplo o entardecer,
As ondas sequenciadas, pelos ventos empurradas
Que nas rochas vêm bater.
E não me canso de ver terras da minha fazenda,
As matas, o meu roçado, ouvindo o mugir do gado
Que alí chega pra beber.E a tarde cai molemente
Após dia de sol ardente.
Um relâmpago, distante, reluzindo a cada instante,
Serpenteia no nascente. Já ouço, longe,o trovão
E o gado fica nervoso prevendo chuva no chão.
O vento sacode a mata embalando-a lentamente
Se despedindo do dia abafado e muito quente.
As acauãs nas baraúnas preveem chuva com seus cantos
A asa branca da terra, distante canta dolente,
Bem escondida nas franças da mata verde da serra.
O inhambu canta insistente buscando sua companheira
Que vaga na capoeira perdida no matagal
Nas quebras da serrania, na mata densa fechada,
A juriti desgarrada canta triste o fim do dia.
Voam em busca dos seus ninhos periquitos em bandos
E tagarelas papagaios aproveitando do sol
A luz dos últimos ráios.
Nos fraguedos talhados grita o mocó assustado
Com maldito caçador que ali está camuflado
Ou com feroz cascavel, talvez com gato selvagem
Arisco, astuto e cruel que pisa fofo a ramagem
Rondando pelo cerrado
Na palma corre o veado fugindo dos caçadores
Todos buscam se livrar dos malvados predadores.
A natureza, sutil e consciente a palpitar
Se transforma a cada instante diante do meu olhar.
Chega a noite de mansinho envolvendo a cercania.
Reina silêncio na mata indicando o fim do dia
E os montes ajoelhados como monges meditando
Num silêncio natural suas orações rezando.
Era um quadro tão sublime, grandioso e encantador
Era a comunhão solene das obras do Criador.
E eu de olhos fitos no céu rezo minha Ave Maria
Agradecendo ao meu Deus pela Graça deste dia.
Esmeraldo de C. Feitosa
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sábado, 30 de maio de 2015
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