quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

- FILHOS DO NÃO -


Ó gente que passa pertences que raça?
Não vês a criança que chora faminta
Nos bancos da praça?
Essa alma que chora que a fome devora
É gente sofrida de pouca saída
Que pauta sua vida num sim num não
É flor pendida que brota carente
De fraco botão.
É gente penada que o crime reclama
Que vive do nada
De sorte trancada no cofre da lama
Herdou dos seus a marca da dor
Nasceu do não
Cresce sem fé tão pobre de amor
O quadro que pinta é triste pro olhar
Esmolas pedindo
Miséria na face no corpo e no ar.

Ó gente que passa
Que jaça profana macula tua raça!
Esquálidas crianças querendo comida
Dormindo famintas nos bancos da praça!

                                                - Esmeraldo C. Feitosa


- SOLIDÃO -

É noite Juliana, tu partistes e eu estou só
O luar se debruça na janela do meu quarto
E me beija na cama acalentando-me
Ao canto do silêncio que embala minha solidão
Mas, |Juliana, já é madrugada e novo dia vai chegar
Então cantarei contente o sorriso da aurora
E ouvirei solene os deboches do sol
E o cochicho das flores.

                                              Esmeraldo C. Feitosa

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

- PAISAGEM DE INVERNO -



O tempo está virando, chega o inverno na serra
Prenúncio de fartura, sonho de minha terra
A campina tão seca,parecendo sem vida,
Torna alegre e florida com sua nova roupagem
Tal menina brejeira se mirando faceira
No espelho da paisagem
As aves voam em bandos ao sol das manhãs frias
Com suas asas esguias ensopadas de orvalho
Na hora do entardecer sempre cai chuva fina
No dorso da neblina que encobre toda a serra
E a boca fria da noite sopra uma brisa leve
Boa pra se dormir.
Nos tempos de São João o milharal se embala
Ao tom dos  cantos dos ventos frios de inverno
Que levam bem distante o aroma adocicado
Do milho verde assado na brasa das fogueiras.
Há festa em toda parte
Ronqueiras, bacamartes...detonam toda a noite
E a cabocla dengosa pula toda fogosa
Agarrada ao namorado sobre o piso batido
Do ranchinho de palha na beira do roçado

                                                        Esmeraldo C. Feitosa

- AS DIMENSÕES COLORIDAS DA MINHA VIDA -

O verde brilho dos teus ternos olhos me fascina
O verde exuberante dos campos me acalenta
As cores suaves do nascer do sol me envolvem
E eu vivo fascinado com o verde dos teus olhos
Sonhante com o verde dos milharais de inverno
Envolvido no complexo colorido
Dos reflexos vitais do nascer do dia

                                               - Esmeraldo C. Feitosa -

- NOS TEMPOS DE INVERNO -

Bem cedo o galo canta na fria madrugada
Cochicha a passarada  com o despertar do dia
A natureza exuberante, com  roupagem cintilante
Cumprimenta a aurora pelo nascer do sol
As flores mais perfumadas,
Com ar de debochadas namoram o beija-flor
E a vida se acorda pra você
No inverno em minha terra
Tudo fala de amor desde o amanhecer

                                         - Esmeraldo C. Feitosa -



domingo, 14 de dezembro de 2014

- AS TROVOADAS DE MINHA TERRA - (MINUÍM - Ba )

Nas mornas trovoadas que molham a terra
As matas florescem ao longo das serras
E as flores exalam seus doces perfumes
Na fresca manhã.
Nos grandes tapumes que crescem ao léu
Alojam-se enxames que fazem bom mel.
Nos vales tão férteis
As verdes pastagens matizam a paisagem
Num mundo de cores
Amando-se ao sol as aves contentes
Cantam estridentes e brincam nas flores.
Na tarde abafada ribomba o trovão
(O pai da coalhada)
Meninos fogosos de cordas nos ombros
Em cavalos sem sela montados no lombo
Conduzem no aboio a mansa boiada.
...........................................................
Assim é a terra do nosso sertão
Morre com o sol do intenso verão
E revive feliz ouvindo o trovão .

                                                    - Esmeraldo de C. Feitosa -

- APÓS O CALOR DESTA PRIMAVERA -

Fui frágil semente que sonhou virente/ Brilhar livre ao sol ao sabor dos ventos./ Ai!Como é difícil para um pobre germe neste mundo hostil, / Armar sua tenda  e ter paz das sombra!Arrancou-me as aves... me desfiz nos ventos.../ Enfrentei batalhas, enfrentei tormentas/ E tremi de medo só, nas tempestades... / e  galguei montanhas/ Na árdua travessia em busca da luz./ Agora, repousa na solene paz  que me traz a idade/ Vendo minha prole Já se preparando/ Para prosseguir nessa caminhada/ Após o calor desta primavera.

                                                - Esmeraldo C. Feitosa -

sábado, 13 de dezembro de 2014

AH! ... O TEMPO ESSE VILÃO

O tempo passa célere
E a idade me atormenta
Meus cabelos prateiam
E as esperanças se vão
Restam só desenganos
De sonhos efêmeros
Que voaram serenos
Como pássaros dourados
No céu das ilusões.
                                   Esmeraldo C. Feitosa
                       

A O AMIGO POETA E PROFESSOR AURÉLIO LOIOLA

Esta carta poema foi cumprimentando o poeta por lhe ter sido concedido pela ACADEMIA TAUAENSE DE LETRAS o Título honorífico de Embaixador da Cultura.
Aurélio R. Loiola
Poeta apaixonado
Que sonha à beira mar
Vive pra sua gente
Sonha com os encantos
Os encantos de Tauá        
                 Através dele conheço
                 Sua terra tão cantada
                 Os campos e suas flores
                 Seus montes e suas matas                
                 Conheço sua história
                 Sua cultura e seus amores
Embaixador da Cultura
Que merecida honraria
O seu povo lhe outorgou
Sua terra está em festa
Meus cumprimentos-poeta-
Por essa prova de amor
                                               Esmeraldo de C. Feitosa


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

-CARTA AO POETA POPULAR JOÂO SOARES DO MARANCÓ - Ba

Esta carta  foi escrita em resposta a uma carta em que o poeta se mostrava muito preocupado com problemas familiares e com sua honra em face de um relacionamento amoroso sem o seu consentimento de pessoa de sua família.
Parece-me, caro poeta,/ Que sofre desilusão/ Aquele que faz poesia/ Escreve com o coração/ Senti em suas palavras/ Um canto de solidão./Suas palavras bem sábias/ De homem compenetrado/Mostrou-me outro sentido/No seu viver atrelado/Poesia e liberdade/ Passeiam de braços dados. /Com o valor que você tem/Precisa se libertar/Não fique a ver estrelas/ Deixando o tempo passar/ O bom poeta faz a hora/ Mesmo sem ela chegar. / O poeta é um ser forte/ Suporta a fome e a dor/Esquece que existe a morte/ Seja no perigo que for/ Não pratica a violência/ Porque nasceu pro amor. / Você não ficou sem nome/ "Poeta" sim é o nome seu/ Sua idade é o respeito/ E o valor que concebeu/ Ainda terá em dobro/ Tudo aquilo que já deu./ Dizer que o " namorador" É quem vive bem hoje em dia/É um erro muito em voga/ De rude filosofia/ Vive bem quem colhe os frutos/Do amor e da poesia. / A humilhação é defeito/ Que não convém a gente boa/ É fruto vil do atraso/ De gente fraca e atoa/ Quem tem valor não humilha/ Jesus foi rei sem coroa./O tempo para o poeta/  Não é  de grande valia/ Ele se sente feliz/ Na beleza e  na poesia/ E assim o tempo pára/ É minha filosofia.
O tempo não diz
Pra quem vive feliz
Que a vida passou
Mas ele é fatal
Se oprime e reprime
E não fala sublime
De coisas de amor.( lembre-se disso poeta).
                     
                                                                      - Esmeraldo de C. Feitosa


- CARTA AO PROFESSOR E POETA AURÉLIO LOIOLA -

Esta carta foi escrita quando o poeta se mostrou ressentido com alguma crítica sobre o seu jornalzinho de relacionamento "ACONTECÊNCIAS".

Caro poeta e amigo
Com orgulho, escreva sem temor
E leve a cultura pra essa gente
Dissemine suas idéias consciente
Cantando sua terra com amor
Poderá não ter por pagamento
O vil metal que corrompe a boa fé
Mas, o sublime ideal de um poeta
É ter no peito um sonho pra cantar
E alegrar com seu canto a multidão
No dedilhar plangente
                           Das cordas do coração
Não se preocupe, meu caro poeta,
Se inveja e críticas lhe atingirem!
Isso é comum e ocorre em toda parte
Nem todos que nos cercam são capazes
De entender a grandeza de uma arte.
                                                              Esmeraldo de C. Feitosa

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

- O RIACHO DO MINUIM - Escrito para estimular a construção de uma barragem.

Ó meu querido riacho/ quem te vê aí parado/ nesse leito tão simplório/ sem pompa e sem galhardia/ / não pode crer na história/ que tu tens pra nos contar!/Não sabe que em tempos idos/ nesses poços entupidos/belas índias displicentes/ se banhavam livremente/ sob as craibeiras floridas/   contemplando as lindas garças/ sobrevoando tuas margens/ na liberdade total/ da plena vida selvagem!/ Não sabe que deste pouso/ ao desbravador já cansado/ de romper brutal caatinga/ na trilha fresca do gado!/Nem sabe que viste um dia/ numa manhã de verão/ um forasteiro chegar/fincar nas suas margem um mourão/ formando nesse local / ativa povoação!/ Nem viu teu leito repleto/de gado brabo sedento/ e de fogosos jumentos/ que buscavam tuas cacimbas/nas secas mais prolongadas/ pra sugar o choro d`agua/ na frouxa areia molhada!/ Também não sabe que ali/ no teu leito mais macio/ as espécies se cruzavam/ num breve amor casual/ no calor forte do sexo/ da simples vida animal!/  Não sabe que  noutros tempos/ as cacimbas do Trapiá nos supria/ de água fresquinha e sadia/ e o Poço Grande e Pau Ferro/ ensinavam a nadar/ a juventude da terra/ que ia ali se banhar/ nas claras noites de lua/ correr na areia macia / alegre brincando nua!/ Não sabe que foste escola/ pros filhos da região/ que ensinaste a teus vaqueiros/ usar com fé o gibão/ na trilha dos bois bravios / pra amansá-los ao cambão!/Ó velho riacho seco/quem te vê assim tão manso/ não faz fé no teu vigor/ quando pipoca o trovão/ quando levantas do leito/ seguindo tua direção/ buscando o curso do rio/ aonde vais desaguar/ na natural atração/ dos olhos verdes do mar!/ Como pareces teu povo/ velho riacho caboclo/ deste tanto a tanta gente/ e recebeste tão pouco!/ Mas um dia meu velho amigo/ o sol vai brilhar conte/ sobre teu vale esquecido/ tuas enxurradas valentes/ farão remanso contidas/ no boqueirão lá da serra.../ um dia serás  velho riacho/ a redenção desta terra/ e nesse vale tão fértil/ tudo será produção/ do outono ao inverno frio/ da primavera ao verão!/Um dia meu velho riacho/ serás o orgulho da gente/ e teu povo humilde e forte/ cantará feliz suas glórias/ nas épocas de lua cheia/ como nos tempos d`outrora/ em lindos versos de amor/ sentado na tua areia.

                                                       - Esmeraldo de C. Feitosa -

domingo, 7 de dezembro de 2014

- MENINO DE RUA -

Travesso menino que vaga nas ruas
Criança faminta, selvagem criança
Que a fome gerou.
Dormindo ao relento
Burlando...burlando...
Puxando...Puxando...
Do vício vivendo no crime ficou.
                             Menino de rua
                             O homem futuro
                             Que o homem moldou
Quando o dia amanhece
Levanta assustado
Boceja cansado
Quebrado da noite
De bolsos vazios
Sem nada nas mãos
Enfrenta a existência
Na busca do pão
                             Criança madura,
                             Pálida criança
                             A gente futura!...
Criança atrevida
Que o ódio domina
Vítima inocente
Do arrojo da lida
Dos calos da mente
Do homem descrente
Da ciência falida
                              Criança forjada  
                              No gen da miséria
                              É prole perdida.


                                               Esmeraldo C. Feitosa



- IDÍLIO DE UMA PLANTINHA SOLITÁRIA -

Ai! Não queira imaginar
Quanto sofri por saudade
Que sua ausência deixou!
Passei sede por maldade
De tudo que aqui ficou!
Saiba, ó minha senhora,
Passei sede até de amor.
Os dias eram muito longos
As noites de insônia infinda
Pensando tão impaciente
No dia feliz da sua vinda.
Hoje, satisfeita estou...
Ah, que bom você voltou!...
É muita felicidade
Pra uma plantinha tão só
Que vivia sem uma flor
Sobre uma mesa largada
Sem água, sem luz,sem chão
Pobremente alimentada
De amor, de olhar, de ilusão.

                                                      Esmeraldo de C. Feitosa

                         

sábado, 6 de dezembro de 2014

"GATINHAS" BRONZEADAS - Praia de Boa Viagem -Recife-PE

Meninas modernas queimadas do sol
Que fazem serestas e adoram o luar
Seus sonhos floridos só dão aventuras
Na rota do sexo, no embalo do mar.
Sorriso nos lábios falando dengosas
De andar atraente,gingando manhosas
Entendem de tudo num simples olhar.
"Gatinhas" bronzeadas
São peixes d`areia que ferem pudor
São lindas sereias chamando pro amor
São ternas gatinhas que fogem do lar
São flores da vida saídas dos galhos
Que exalam perfume à beira do mar

                                             - Esmeraldo de C. Feitosa -


- GIGI " PIMENTA"

Garota imatura
De roupa colante
Que quebra tabus
Com grupos que sai
De jeito manhoso
Com ar arrogante
Mascando chiclete
Falando "bai bai"
                            Tem dentes tingidos
                            Da vida fumante
                           Tem tosse e pigarro
                           Dos vícios que tem
                           Se julga moderna
                           E fuma elegante
                           Soltando fumaça
                           Com ar de desdém
Garota rebelde
Que abusa da bola
Que vive de sonhos
No mundo da lua
Namoro mais sério
Com ela não cola
Aceita os amores
Que encontra na rua
                               Só lê as revistas
                               De sexo e terror
                               Que falam de crimes
                               De gente "avançada"
                               Saindo com homens
                               De pouco pudor
                               Não sente no jogo
                               Que perde cartada
Garota consumo
Que o sonho a seduz
Sem fé e sem tino
Não serve pro lar
É fruto da vida
Maduro sem luz
Que vive pro sexo
Mas prole não dá.































- A LUZ DOS TEUS OLHOS -

Já corri mundos e pisei estrelas
Buscando a luz que nos teus olhos vi...
Que rude engano que destino triste!...
Por mais que corra mais distância existe
Por mais que busque não consigo tê-la

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

- A FLOR TRISTE -

Triste flor/ Na mesa triste/É a flor triste/ Que eu vejo/ Contraste triste/ Com a dona alegre/ Que cora triste/ Velando o pejo/ Passando a mão/ Nas suas pétalas/ Sorrindo meiga/ Lhe dando beijos.

                                      Esmeraldo de C. Feitosa

CARTA PRA ZÉLIA (pela passagem do seu aniversário)

Minha estimada irmã/ Gostaria de estar com você/ no seu aniversário/Mas não posso. Também não faz falta!Nesse mundo natural/ Onde vive e canta/Há muita saudade/Mas, falta, nem tanta. Sei que terá o orvalho/ brilhando ao sol/ das manhãs de junho/ e a terna passarada/ cantando contente/ na fria  madrugada aí da serra/ como de costume em nossa terra/. Mas fico triste estando ausente/ e não poder cantar"Parabéns pra você". / Sei que é bobagem/ pois ouvirá melhor /o canto do guigó na mata selvagem/ acordando a vida pra lhe ver/ tendo como cenário/ a virente paisagem/ abrindo-se à sua frente/ logo ao amanhecer. /Por certo não lhe faltarão as palmas/ e o canto festivo do galo,/ desde madrugada/ para agradá-la,/ o mugir do gado na cancela,/ a canção sisuda do peru/ e, nas quebradas da serra, o pio distante do jacu.../ ou, na capoeira,/ a voz da nhambu faceira/ disfarçada na folhagem../tudo isso em sua homenagem./Talvez ouça o pio triste / e insistente da perdiz/ perdida na plantação!/ Porém, num final feliz/ tudo é alegria pra festejar seu dia./Mas, minha irmã, fique sabendo/que fiquei sofrendo/ por não poder abraçá-la/ nessa solene ocasião/ porém, mando carinho e o afeto inteirinho/ que trago guardado/ no meu coração.

                                                    Esmeraldo de C. Feitosa

sábado, 29 de novembro de 2014

- OS AMORES DO POETA - Poema em homenagem ao Poeta e Prof. Aurélio Loiola, filho de Tauá-CE, no seu aniversário

É o vento que sopra/ É o mar agitado/ Na crista das ondas./ É o sol a brilhar/Loiola descansa/ No pouso tranquilo/Com a mente distante/ E os olhos no mar. Em Maria Farinha/ Sua praia escolhida/ Com a GENA querida/ Contempla a beleza/ Da praia e do mar/ Aspira  energia/ Se inspira no vento/Se inspira no sol/ E escreve poesias/ Louvando TAUÁ.
                                                             
                                                                    Esmeraldo C. Feitosa

SONHO DE PESCADOR

Sou pobre pescador/ Meu barco é meu lar./ Nas claras madrugadas/ Em que saio pra pescar/ Meu barco, meu amigo,/Me ampara do perigo/ Na luta contra o mar./ À tarde quando volto/ Cansado de remar/Ajoelho-me na areia/ E  rezo uma oração/ Pedindo ao Deus do mar/Paz, paz pra se pescar. /Tranquilo no meu lar/ Eu durmo após a ceia/À luz da lua cheia/ Cismando lindas notas/ De vozes de sereias/ Que longe ouvi cantar./Meus sonhos têm histórias/ Façanhas de heróis/ Cardumes coloridos /Fisgados nos anzóis/ Garotas sedutoras/Querendo me abraçar/ Mas tudo é ilusão/ Se abraço elas se vão/ Me acordo e volto ao mar.
                                                 Esmeraldo C. Feitosa

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

MEU CÃO PERIGO

Lembro-me com saudade do meu cão "Perigo". Era um "vira - lata" branco com malhas pretas, valente e obediente como um bom cão. Mas só a mim obedecia.Quando eu de férias ia pra fazenda ele festejava minha chegada rolando pelo chão, lambendo minhas mãos, latindo e correndo, indo e voltando agitado - era a gratidão de um cão rejeitado. Assim ele me fala do seu sofrimento, da falta de amor, das pirraças, da saudade e da solidão,  da sua vida de cão sem raça. Na noite daquele dia ficava ao meu lado, não dormia, esperando o sol nascer pra caçar perdiz. Tenho certeza, aquele cãozinho sabia que sua cortezia me fazia feliz. Ah... meu cão "Perigo",como você era bom e engraçado! Você era meu amigo, meu guia,  meu palhaço e  minha fantasia.Você era minha alegria e minha esperança, você era tudo pra mim nos meus tempos de criança.

                                                                               - Esmeraldo Feitosa

sábado, 15 de novembro de 2014

- GRITO DE PAZ -


Transpus desertos, transpus os mares
Levei bem longe na terra o  meu clamor
Procurei mão amiga pra unir-se às minha
Ou voz de amor sintonizando os meus lamentos
Ouví, distante, na montanha intransponível
Forte rugir dos ventos.
Clamei a Deus, clamei aos mundos
Mas, sem sentido, os meus lamentos
No eco viciado do espaço estão perdidos
Hoje já  não sei a dor que eu sinto
De gritar tanto a voz perdi e já não grito
Mas o meu brado, por testemunha,
Traça o infinito.

                                 - Esmeraldo C. Feitosa

Homenagem ao amigo Prof. Loiola - Cearense de Tauá

Este poema foi escrito como agradecimento pelo presente de um livro onde constava uma historia de amor na adolescência do meu amigo professor por uma jovem chamada Maria.

                            - Meu caro professor -

Como lembrança de amigo
Recebí seu belo livro
Feito em prosa e boa poesia
Conhecí a sua história
Ví coisas que não sabia
Não sabia que tinha saudade
Como eu tenho de MARIA
                        Que lindos versos escreveu
                        Contando o seu passado
                        Com tanta simplicidade!
                        São páginas de sua vida
                        De beleza e nostalgia
                        Que contam com emoção
                        As coisas do coração
                        E a" SAUDADE DE MARIA"
Em prosa conta viagens
Com detalhes importantes
De um grande professor
Fala da filosofia
Que o sertão lhe ensinou
Fala tanto de amor
Na "SAUDADE DE MARIA"
                        Não esqueceu coisas queridas
                        Do sertão do Ceará
                        Não esqueceu do Convento
                        Da vida do Dia a Dia
                        Mas, de tudo professor,
                        Confesso que me tocou
                        A"SAUDADE DE MARIA"
Seu livro é bem completo
E repleto de emoção
O sentimento domina
Em cada prosa ou poesia
Meus parabéns,professor,
Por essa obra de amor
E a "SAUDADE DE MARIA".

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

- O QUE EU MAIS QUERIA -


O que eu mais queria neste momento
Se Deus me desse o direito de escolher
Era poder viver o suficiente
Para ver minha terra e minha gente
Livrarem-se  do atraso e da pobreza
                     Queria que as maravilhas do saber
                     Que conquistam as vias da razão
                     Batessem logo à porta do meu povo
                     E tudo velho se fizesse novo
                     E tudo escuro se fizesse luz
Queria viver o tempo necessário
Para ver livre o povo sertanejo
Da ignorância que avilta o seu pudor
Queria, sim, poder transmitir-lhe o amor
Que enche o meu peito de esperança.
                      Queria que Deus me desse a felicidade
                      De transmitir a todos minha fé
                      Numa luta plena e consciente
                      Plantando nas gerações boa semente
                      De justiça amor e fraternidade
Ah! Como me sentiria feliz
Se o povo procurasse outros valores
Que dessem saber e amor pra essa gente
Pra formar juventude competente        
E fazer o progresso despertar!
                       Só assim eu ficaria à vontade
                       Ufano da terra que tanto quero
                       Tendo em mim  a confiança velada
                       Numa gente antes rude e injustiçada
                       Que conquistou direito e liberdade.
                                   
                                        - Esmeraldo C. Feitosa
                     

                     


                   

- LUZ DA LUA -


Como é belo
O mar sereno
Banhando a praia
Indo e voltando
À luz da lua!...
E espuma branca
Pulando as ondas
Na brisa fresca
Brincando nua!...
                      Como é sublime
                      Em traços breves
                      Sua roupa leve
                      Brincando ao vento
                      Beijando o mar!...
                      E a natureza
                      Na sua grandeza
                      Em mar de prata
                      Linda, a sonhar!..
Que puro encanto
Quando se dorme
Ao terno canto
Da voz do mar!...
E nesse enleio
Você juntinha
Presa em meus braços
Querendo amar!...

                         Esmeraldo Feitosa.
                   

MINUIM/TAUÁ - Homenagem ao meu amigo Prof. Loiola, filho de Tauá no Ceará

Nós somos filhos do sertão
O que tanto orgulho nos dá
Eu nasci lá em Minuim(Ba)
E você nasceu em Tauá
                      Nós somos iguais nas idéias
                      Iguais até nos sentimentos
                      Vivemos na beira do mar
                      E cantamos versos ao vento
Você criou " ACONTECÊNCIA" (jornal de relacionamento)
Para o prazer do seu sonhar
E eu, quando estou na fazenda,
Nas noites sonho ao luar
                      Vivemos entre dois mundos
                       Cheios de encanto e ilusão
                       Se num, o coração constringe
                       No outro, palpita o coração
E nesse devaneio sublime
Vivemos a vida a cantar
Amando sempre o sertão
E o belo encanto do mar
                   
                                           Esmeraldo Feitosa

terça-feira, 11 de novembro de 2014

A ILHA DA FANTASIA

A vida é uma ilusão/O mundo em que vivemos/É a ilha da fantasia/
Onde tempestades/Minazes,bravias/Rugem em turbulências/
Sacudindo o mar/Com tanta violência/Que fragmenta a rocha/E o mais
fraco se destrói/ Tão grande e desigual/ É a força que constrói./ E nos
raios que se cruzam/ No dorso da tormenta/ A face tenra se queima/ O
vivente que ainda teima/Baqueia e se esfacela/ E os sonhos se desfazem/
Nas asas da procela/ Na lógica fatal/ Da vida efêmera.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A MINHA INFÂNCIA

A infância foi a fase mais feliz da minha vida. E hoje , nas noites de insônia, no silêncio das madrugadas, as lembranças sutilmente invadem o meu espírito e as imagens daqueles tempos inocentes se agasalham ao meu lado e me embalam até eu dormir. Aí, então, vejo nos meus sonhos o meu cão "Perigo" em volta de mim quando eu chegava do colégio, pulando de alegria, lambendo minhas mãos latindo como se quisesse falar da sua  saudade; via meu guloso borrego enjeitado mamando minhas orelhas; meu porquinho "Dengoso"deitado molemente aos meus pés querendo que lhe coçasse sua barriguinha pra dormir; minha galinha "Amorosa"cantando a cada ovo que me dava. Ah! Terna infância. Lembro-me da neblina cobrindo a serra nas frias manhãs de inverno e da leve brisa que balançava o milharal no roçado derrubando as últimas gotas de orvalho com os primeiros ráios do sol. Quanta saudade do leite morninho no curral nas manhãs frias; dos amigos de infância que compartilhavam com minhas brincadeiras e minha felicidade; das excursões à serra pra colher caju! Quantas vezes, sentado na beira do penhasco, contemplei meu pequenino Minuim, encolhido no vale, solitário como um pontinho perdido na virente paisagem!Como invejava aqueles papagaios tagarelas que sobrevoavam a frança das árvores que cobriam os grotões da serrania!As núvens tocavam minha cabeça, a brisa fria e constante beijava minha face e acariciava meus cabelos trazendo o aroma adocicado das flores novinhas que se abriram no decorrer da madrugada num verdadeiro amplexo de afinidade e amor. Eram momentos tão singelos e solenes que eu e a natureza éramos um só corpo contemplado pelo olhar fascinado do meu espírito

- EU SOU ESCRAVO DO TEMPO -

Eu sou escravo do tempo /Nas tábuas do destino/ Escreví minhas ilusões/Busco a luz entre as estrelas/ Busco o amor entre as paixões/Sou um escravo do tempo/ O sigo no compasso dos seus passos/ Por estradas de sonhos e quimeras/Sinto frio nas madrugadas de inverno/ Me aqueço no calor das primaveras. Assim o tempo me atraiu/ Atropelou minha vida e me iludiu/ Com promessas de sucesso e de amor/Hoje não tenho mais ilusão/ A vida é pura fantasia/ Sigo o tempo noite e dia/ O tempo me escravisou. - Esmeraldo C. Feitosa

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

MEU PEQUENO BEIJA FLOR

Meu pequeno beija flor
Que cedo voa na florada
Vai, leva flor pra minha amada
Que está a me esperar

Meu querido beija flor
Que tanto ama a primavera
Vai, leva rosas pra ela 
E fale do meu amor
Diga que à noite eu vou
Que me espere na janela