quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

- FILHOS DO NÃO -


Ó gente que passa pertences que raça?
Não vês a criança que chora faminta
Nos bancos da praça?
Essa alma que chora que a fome devora
É gente sofrida de pouca saída
Que pauta sua vida num sim num não
É flor pendida que brota carente
De fraco botão.
É gente penada que o crime reclama
Que vive do nada
De sorte trancada no cofre da lama
Herdou dos seus a marca da dor
Nasceu do não
Cresce sem fé tão pobre de amor
O quadro que pinta é triste pro olhar
Esmolas pedindo
Miséria na face no corpo e no ar.

Ó gente que passa
Que jaça profana macula tua raça!
Esquálidas crianças querendo comida
Dormindo famintas nos bancos da praça!

                                                - Esmeraldo C. Feitosa


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