quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

- O RIACHO DO MINUIM - Escrito para estimular a construção de uma barragem.

Ó meu querido riacho/ quem te vê aí parado/ nesse leito tão simplório/ sem pompa e sem galhardia/ / não pode crer na história/ que tu tens pra nos contar!/Não sabe que em tempos idos/ nesses poços entupidos/belas índias displicentes/ se banhavam livremente/ sob as craibeiras floridas/   contemplando as lindas garças/ sobrevoando tuas margens/ na liberdade total/ da plena vida selvagem!/ Não sabe que deste pouso/ ao desbravador já cansado/ de romper brutal caatinga/ na trilha fresca do gado!/Nem sabe que viste um dia/ numa manhã de verão/ um forasteiro chegar/fincar nas suas margem um mourão/ formando nesse local / ativa povoação!/ Nem viu teu leito repleto/de gado brabo sedento/ e de fogosos jumentos/ que buscavam tuas cacimbas/nas secas mais prolongadas/ pra sugar o choro d`agua/ na frouxa areia molhada!/ Também não sabe que ali/ no teu leito mais macio/ as espécies se cruzavam/ num breve amor casual/ no calor forte do sexo/ da simples vida animal!/  Não sabe que  noutros tempos/ as cacimbas do Trapiá nos supria/ de água fresquinha e sadia/ e o Poço Grande e Pau Ferro/ ensinavam a nadar/ a juventude da terra/ que ia ali se banhar/ nas claras noites de lua/ correr na areia macia / alegre brincando nua!/ Não sabe que foste escola/ pros filhos da região/ que ensinaste a teus vaqueiros/ usar com fé o gibão/ na trilha dos bois bravios / pra amansá-los ao cambão!/Ó velho riacho seco/quem te vê assim tão manso/ não faz fé no teu vigor/ quando pipoca o trovão/ quando levantas do leito/ seguindo tua direção/ buscando o curso do rio/ aonde vais desaguar/ na natural atração/ dos olhos verdes do mar!/ Como pareces teu povo/ velho riacho caboclo/ deste tanto a tanta gente/ e recebeste tão pouco!/ Mas um dia meu velho amigo/ o sol vai brilhar conte/ sobre teu vale esquecido/ tuas enxurradas valentes/ farão remanso contidas/ no boqueirão lá da serra.../ um dia serás  velho riacho/ a redenção desta terra/ e nesse vale tão fértil/ tudo será produção/ do outono ao inverno frio/ da primavera ao verão!/Um dia meu velho riacho/ serás o orgulho da gente/ e teu povo humilde e forte/ cantará feliz suas glórias/ nas épocas de lua cheia/ como nos tempos d`outrora/ em lindos versos de amor/ sentado na tua areia.

                                                       - Esmeraldo de C. Feitosa -

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